Cobertura: CAVALERA - show no Barcelona Rock Fest, 05/07/2026

Texto e fotos por Écio Souza Diniz


O Barcelona Rock Fest vem se consolidando como um dos principais festivais da música pesada na Espanha a cada ano. Nesta décima edição celebrada entre os dias 03 e 05 de julho de 2026 o festival manteve sua qualidade e estrutura. Mais uma vez realizado no excelente espaço do Parc de Can Zam, em Santa Coloma de Gramenet, na zona metropolitana de Barcelona, o evento trouxe como grandes nomes este ano o Megadeth, Helloween, Sex Pistols, Testament, Napalm Death, Tankard, Accept, Bad Religion, The Offspring, Sabaton, Cavalera, entre outros. Aqui neste texto eu falarei especificamente do show do Cavalera que não só encerrou o festival em grande estilo, como foi um dos destaques desta décima edição.

A relação dos irmãos Igor e Max Cavalera com Barcelona já vem de outros tempos, pois foi nesta cidade que registraram o show no antigo Teatro Zeleste (atual Sala Razzmatazz) em 31 de maio de 1991 durante a turnê do Arise, que gerou o VHS Under Siege (Live in Barcelona), o qual ajudou significativamente a divulgar e expandir a febre pelo Sepultura ao redor do mundo. Anteriormente, na edição de 2024 do festival, a banda Cavalera, encabeçada por Igor e Max e com apoio ao vivo de  Igor Amadeus Cavalera (baixo), filho de Max, e Travis Stone (guitarra, Pig Destroyer), se apresentou num show cujo foco à época era promover as regravações dos clássicos Bestial Devastation (1985), Morbid Visions (1986) e Schizophrenia (1987), nos quais havia se baseado o setlist das músicas que foram tocadas. Mas nesta atual turnê em 2026, a banda Cavalera celebra o reconhecido Chaos A.D. (1993), tocando-o na íntegra. 



É desnecessário detalhar a importância desse álbum na difusão global do Sepultura, visto sua qualidade técnica, inspiração e peso. O reconhecimento pelo Chaos A.D., assim como pelos irmãos Cavalera, é notável em Barcelona, afinal, mesmo depois de três dias de festival exposto a ondas de calor que assolam a Espanha naqueles dias, um público massivo permaneceu até depois da meia-noite, já no dia 06 de julho, na realidade, para ver o show. 


Em termos gerais, foi um show bem executado, tanto em termos técnicos quanto de intensidade. A banda soava entrosada e com ganas de mandar um som agressivo. Inclusive, como toca esse Travis Stone, parecendo até um “tourinho bravo” e inquieto no palco (risos). A interação com o público fluía muito bem, com a banda recebendo resposta participativa dos presentes, seja cantando em coro várias músicas ou fazendo intensas rodas de mosh. Outro destaque foi o belo cenário de palco com temas visuais da capa e do encarte de Chaos A.D., com direito à múmia da capa pendurada acima no centro do palco. Pairava uma atmosfera de adrenalina na arena do festival que dava um peso ainda mais bacana ao show. 


Com relação às músicas que rolaram no show, posso dizer que tocaram com muita vontade e todas fluiram muito bem. As principais músicas com que a banda se destacou na sua atuação, recebendo resposta à altura do público, foram Refuse/Resist, Slave New World, Propaganda e Territory. Biotech Is Godzilla também suou como um rolo compressor. Outro momento bem interessante e com participação massiva do público pulando e cantando o refrão foi durante o cover de The Hunt do New Model Army. 

Ao fechar com Chaos B.C., música lançada originalmente em 1996 no álbum de trilha sonora de "Mortal Kombat: More Kombat", o Cavalera nos deu a catarse final para encerrar a jornada e retornar à casa para começar a semana de forma mais relaxada. 
Para fechar minha participação nesta edição do festival, logo após saírem do palco, Max e Igor, apesar do cansaço, estavam prontos para pegar estrada para outro show que realizariam no dia seguinte e me deram uns minutinhos de atenção num papo rápido e uma parada para foto. Max de cara já soltou: “porra, estamos de luto hoje” (risos). Referindo-se à desclassificação do Brasil na Copa do Mundo naquele fatídico 05 de julho que perdeu para Noruega