SARCÓFAGO - Discografia comentada

Por Écio Souza Diniz

I.N.R.I (1987)

Um início arrebatador que influenciou e foi referência do Metal Extremo em todo o mundo. Este é o legado que logo de cara o Sarcófago, deixou lançando este álbum, sendo considerada como uma banda realmente de extremos, o que levou a origem da frase que definia seu som e a legião de seguidores: “Sarcófago: Ame ou odeie”. Daí em diante foi uma das bandas mais polêmicas que passaram pela história do metal nacional. A abertura com Satanic Lust, já dá uma idéia da agressividade que compõe o set list restante. A pancadaria segue com Desecration of virgin, I.N.R.I, Christ’s death acompanhada da cadenciada e densa Nightmare (um clássico), a blasfêmia roga por atingir nível mais alto em The last slaughter e Recrucify/The Black Vomit (um tormento). Esta versão de INRI, sob a qual resenho, foi lançada pela Cogumelo Records em 2002, vindo ainda com material extra a primeira prensagem do álbum, é um clássico indispensável aos fãs de extremo, principalmente Death/Black Metal.

 
ROTTING (1989)

O segundo álbum botaria a prova o que fariam depois de uma estréia agressiva e inovadora. Rotting manteve as características trabalhadas no INRI, porém é notável a evolução das composições: gravação melhor, bases fortes e bem trabalhadas, solos intensos. O álbum começa em grande forma com Lust, seguido pela mortal Alchoolic coma, as intensas e ríspidas Tracy Sex, Drinks and metal (símbolo do que é o Sarcófago), a arrebatadora faixa-título, além de uma regravação de Nightmare (do INRI), que recebeu melhores arranjos, uso de sintetizador que deu uma atmosfera mais arrebatadora ainda à música. 



THE LAWS OF SCOURGE (1991)

Neste álbum, pode ser observado uma evolução excepcional na sonoridade da banda, investindo em um músicas mais técnicas, bem detalhadas, com passagens obscuras e uso de sintetizadores em algumas. O álbum começa com a arrasadora faixa-título (um arrasa quarteirão), seguida de Piercings, música cadenciada e agressiva. Um dos pontos mais altos é em Midnight Queen (Outro clássico), com seu início melancólico e desfecho agonizante. Como destaque ainda há a versão regravada e mais aprimorada de The Black vomit (do INRI), pesada e nostálgica Prelude to a suicide e a intensa e um dos símbolos da banda para muitos, Screeches from the silence que rendeu um vídeo clipe a banda, frequentemente exibido na MTV brasileira no extinto e excelente programa Fúria Metal. O fechamento vem com a ótima Secrets of a window e fica claro que este é um álbum sem músicas ruins ou medianas.

CRUSH, KILL, DESTROY (1992)

Este Ep, mesmo contendo apenas duas faixas inéditas (a faixa título e Little Julie) e duas do The laws of scourge (Midnight queen e Secrets of a window , manteve a técnica adotada no trabalho anterior, sendo assim, um ótimo disco.




HATE (1994)

Aqui ocorre outra evolução, composta pelo peso exacerbado do álbum. Já contando somente com Wagner (vocal e guitarra) e Gerald (baixo), o destaque fica por conta da escolha de usarem bateria programada no lugar um baterista efetivo, almejando alcançar o peso e o som que queriam fazer. Apesar da banda ter perdido um pouco da técnica dos discos anteriores por conta de todo o peso investido na bateria, este também é um álbum muito importante na carreira do Sarcófago. O álbum começa com uma intro que precede a faixa Song for my death, passando por músicas nervosas como Satanic terrorism e Orgy of flies (outra marca registrada do Sarcófago). Ao chegar na faixa-título, a velocidade e o peso fazem jus ao nome, constituindo-se no ponto mais alto do álbum, sucedida por Rhabdovirus (The pitbull’s curse). Realmente é uma sonoridade envolta numa atmosfera altamente agressiva, recomendado aos afixionados.

DECADE OF DECAY(1995)

Esta coletânea que contém faixas de todas as fases da banda até aquele momento, foi lançada em comemoração aos 10 anos da banda e tem um set list muito bem selecionado, com muitos clássicos. Entretanto, essa não é uma simples coletânea, mas uma compilação com as demos da banda como "Satanic lust" e "Black vomit". Vale a pena ter na coleção.


THE WORST (1996)

Continuando a proposta de Hate, porém com a sonoridade não tão pesada como este último, este disco não caiu certeiro na graça dos fãs. Também vale lembrar que foi neste época que Wagner e Gerald sumiram da mídia e decidiram que não queriam mais viver da banda, não realizando shows para promover o álbum. Entretanto o disco tem faixas boas e interessantes como a faixa-título, Army of the damned, a peculiar The Necrophiliac e uma nova versão mais pesada e matadora para a clássica Satanic Lust.


CRUST (2000)

Bateria eletrônica exagerada ao extremo, vocal embolado, tosco do início ao fim, é o que define este último registro da banda. Este disco mostra afirmativamente o lado que que a dupla polêmica (Wagner e Gerald) sempre fizeram por donde do Sarcófago possuir: Ame ou odeie, sem meio termo. Após a introdução de Sonic images of the new millennium decay, vem a pedrada da quase inaudível Day of the dead, passando pela protestante F.O.M.B.M. (Fuck Off The Melodic Black Metal), que rejeita qualquer modismo criado pelos novos estilos de Black metal, fechando com a faixa-título. Agora, o que temos é a marca dessa grande banda na história da cena nacional.


TRIBUTE TO SARCÓFAGO (2002)

Finalmente o merecido reconhecimento. Este tributo dá orgulho aos fãs da banda e a nossa cena, por mostrar o quão influente o Sarcófago foi no Metal extermo mundial, contando com a presença de bandas como Impaled Nazarene, Satyricon, Exhumed, Angel Corpse, Impurity... Os maiores destaques ficam por conta do Drowned - The Laws of Scourge, Mystifier – Satanic Lust, Satyricon - I.N.R.I, Impurity – Orgy of flies, Exhumed – Sex, drinks and Metal e Impaled Nazarene - The Black vomit. Pra mim, tem o status de um dos melhores tributos já feitos.