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VASCO DA GAMA - Vasco da Gama


Por Écio Souza Diniz

Uma das pioneiras do Heavy metal em Portugal, a banda VASCO DA GAMA foi formada em Lisboa em 1982. Em 1983, a banda composta por  Luís Sanches (vocais), Carlos Jorge Miguel (guitarra), Tó Andrade (baixo) e Gil Marujo (bateria) lançaram o seu primeiro e único álbum autointitulado "Vasco da Gama". Constituído por oito faixas, o álbum. O potencial da banda era claramente estampado na precisão e feeling com que executava uma sonoridade orgânica, tradicional e genuína. Logo na entrada com "Avé Rei do Mal" já se mostram os riffs diretos e cortantes que se conectam bem com o timbre de Sanches. Em "Confusão ou Ilusão" você ouvirá um refrão marcante e solos inspirados. Na faixa "Lendas e Mitos" temos interessantes alternâncias entre partes cadenciadas e mais rápidas, típicas da sonoridade praticada na NWOBHM. A pegada de "Rock'n Rosseau" mescla riffs e bases de metal com rock clássico dos anos 50, tornando essa uma faixa de muito bom gosto. A faíxa-título é cativante e com riffs e refrão dificeis de esquecer, que ficam ecoando na mente. O fechamento soturno do disco com a cadenciada e psicodélica "Morte"  dá um toque diferenciado e ressalta as linhas do baixo alinhadas aos riffs solados e distorcidos. Alguns anos mais tarde, em 1988, a banda participou de um split álbum com outras duas bandas portuguesas, IBÉRIA e SAMURAI. Depois disso, infelizmente não houve mais registros fonográficos do VASCO DA GAMA, o que torna esse primeiro e único álbum ainda mais especial e marcante. 

Faixas: 1. Avé Rei do Mal / 2. Confusão ou Ilusão / 3. Varinaice / 4. Lendas e Mitos / 5. Feijão Verde  / 6. Rock'n Rosseau / 7. Vasco da Gama / 8. Morte



EXCITER - Heavy Metal Maniac


Por Lucas Araújo Alves

Em meados de 1983 o Heavy Metal tornava-se mais rápido e ríspido, os sons da NWOBHM estimularam uma nova "brigada", ou melhor uma nova disputa. Era o início da saga das músicas velozes com tempero inglês de RAVEN, malevolência de VENOM, rapidez germânica de ACCEPT , cadencia do canadense ANVIL e categoria desbravadora de JUDAS PRIEST e MOTÖRHEAD.

A velocidade da faixa “Exciter” presente no álbum “Stained Class” do JUDAS PRIEST, lançado em 1978, serviu de fonte de inspiração para muitos grupos, dentre eles, um ícone que nasceu no Canadá em 1979.

O EXCITER é uma alude do aço que despertou a atenção de várias bandas e fãs do heavy metal, o vocalista era o próprio baterista. O álbum ‘’Heavy Metal Maniac’’ foi lançado em de junho de 1983. O trabalho tem gravação simples e o clima é total headbanger underground. 

As guitarras e o baixo são implacáveis no debute, assim como o esfolador Dan Beehler com sua voz e batida, um mutante com feeling de Rob Halford (JUDAS PRIEST) e pegada de Phill "Animal" Taylor (MOTÖRHEAD).

Assim como o VENOM, o EXCITER tinha um visual carregado de couro, correntes e coletes, mas eles tinham um diferencial, Dan Beehler parecia ter dois pulmões, ele era o vocalista e baterista, dono de um vocal esganiçado cheio grunhidos e uma pegada matadora, Dan se tornou um ícone do gênero.

A partir de “Heavy Metal Maniac”, espalharia pelo mundo uma nova safra de bandas de Speed Metal. 

Pergunte aos músicos do DESTRUCTION, SODOM, ARTILLERY a importância desse grupo canadense chamado EXCITER?

Um dos combos mais importantes do Heavy Metal Underground oriundo dos anos oitenta.


PENTAGRAM - PENTAGRAM

Por Lucas Araújo Alves

Ícone, expoente, desconhecido e sombrio. Esse é o PENTAGRAM, um dos dinossauros do underground norte-americano, um dos raros conjuntos que enfrentaram o anonimato e a injustiça do não reconhecimento, puro exemplo de persistência e pioneirismo.  O Pentagram representa a fusão da cultura hippie dos anos 60 e o satanismo lírico de COVEN e BLACK SABBATH. Tudo isso aliado ao tempero de influência da arte intelectual de Crowley e logicamente à uma mescla do entretenimento pavoroso de Charles Manson. Formado em 1972, no período dopado e criativo do Rock and Roll, esse grupo era considerado o BLACK SABBATH ianque: Som pesado, lento e letras apavorantes. Liderado pelos ‘’Hippies’’ satânicos Booby Liebling (Vocal) e Victor Griffin (Guitarra), o Pentagram realizou sua estreia em formato “Full Lenght’’ 13 anos após sua fundação, depois de diversas demos espalhadas no cenário, inclusive a clássica Underground Sound de 1977. Finalmente nasceu em 1985, o debut do quarteto. Além de Booby e Victor a banda era formada por Martin Swaney no baixo e o grande baterista Joe Hasselvanderl, que hoje toca no influente grupo RAVEN. O álbum Pentagram ou simplesmente Relentless é uma junção de sons Sabbaticos, ultrajados de personalidade e ocultismo. A originalidade não é evidente, mas a sonoridade lacrimeja os primórdios do puro Doom Metal, músicas como ‘’The Ghoul’’, ‘’Dying World’’, ‘’Death Row’’ e “Sign Of The Wolf (Pentagram)” são hinos desse monstro profano da música pesada. Vida longa ao PENTAGRAM e ao som nosso de cada dia. ‘Eternal Doomed’, "Ancestral Pentagram"

VULCANO - Live!

Por Lucas Araújo Alves 

O ano era 1985, a ditadura militar havia ‘acabado’, o então novo presidente que era a esperança , acabou morto misteriosamente. O Brasil atravessava suas agruras financeiras e meio que perdido pela falta de identidade cultural, brotou a esperança de ávidos amantes do som pesado, eles se encontraram em um monumental festival chamado Rock in Rio, o espetáculo foi considerado a “Woodstock tropical" onde milhares de jovens roqueiros despertaram sua loucura eloqüente e frenética. O início dos concertos da tal pedra louca começou por essas terras tupiniquins graças ao ponta pé inicial de gigantes como o mestre teatral ALICE COOPER (1974), o dramático QUEEN (1981), os explosivos VAN HALEN e KISS (1983), além de outros títulos importantes. Mas nem tudo eram flores, se por um lado o rock glamoroso tinha suporte e apoio de gravadoras e empresários, no movimento independente conhecido como underground a realidade era extremamente distinta. Imagine o cenário heavy metal nacional em 1985. Mesmo com a precariedade o exército batedor de cabeça integrado por amantes ávidos garotos apaixonados por heavy metal se aglomerava em clubes mofados e encardidos, tudo em prol ao ritual do mortífero som metálico. Os lançamentos de coletâneas, splits e discos eram feitos na base do crivo real: batalhas, sangue e suor. Originário de Santos (SP), o VULCANO mantinha uma proposta tradicional com claras inclinações do Hard Rock 70’s, lanado em 1983, o primogênito "Om Pushne Namah" carrega essa áurea. Contudo, o brilho sonoro foi ofuscado pela descarga maldita do Heavy metal agressivo, veloz e violento. De fato, o vulcano é muito mais do que um mero conjunto brasileiro influenciado por MOTÖRHEAD, VENOM e MERCYFUL FATE. É uma instituição generativa que propagou sobre todos à furiosa erupção do seu próprio nome, tornando-se um cataclismo sul americano em plena era Heavy Metal. A consagração definitiva esta registrada no em cada sulco do lendário disco ao vivo “Live!”. 
Gravado na cidade de Americana (SP), todas as nuances desse registro ultrapassa as barreiras do limite rústico, atingindo eternamente o coração dos fieis headbangers do Brasil. Em Live, o público ensandecido clama ininterruptamente pelo delírio Heavy Metal Extremo. A saudação do vocalista Angel:“Os portais do inferno se abrem, para vocês Vulcanoooo”, é simplesmente o prelúdio de toda uma geração, tudo esta escrito eternamente em “Witch's Sabbath”, “Prisioner From Beyond”, “Fallen Angels”, “Devil On My Roof”, “Guerreiros de Satã”, “Riding In Hell”, “Total Destruição” e “Legiões Satânicas”. Ergam suas cabeças e punhos para cortejar o álbum mais importante do Heavy Meta Extremo Nacional. Atemporal!

ONSLAUGHT - The force


Por Lucas Araújo Alves

Lendária banda britânica crescida na chacina. Começaram no caos da influência punk hardcore de 1982, embriagados por fontes inesgotáveis de Discharge, The Exploited, G.B.H. Logo venderam alma pro lado negro e fizeram um dos aços retorcidos mais toscos e legais dos anos 80, sim, o glamoroso e poderoso "Power From Hell". Um eco dos primórdios do metal da morte repleto de focos do metal velocistas também chamado speed metal. 

Com uma baita reformulação, lançaram aquele que é o ápice do conjunto. Das forças do lado negro ainda nas letras o Onslaught fez a investida da besta no Thrash Metal, e o resultado foi um sonoro ataque devastador.

A entrada do vocalista Sy Keeler trouxe mais dotes metálicos ao som do entao quinteto do Reino Unido. Mesmo a Inglaterra não tendo focos thrashing naquele 1986, o abatedouro Onslaught reinou em sua criação sonora ardida chamada 'the force'. 

Mesclando influências de Venom, Mercyful Fate, Slayer, Metallica e Destruction, o grupo mesclou a violência do thrash speed e o clímax do Black metal. Basta conferir pauladas como 'Let There Be Death", "Metal Forces", hino!, "Fight With The Beast", "Flame Of The Antichrist", um thrash metal em forma de Mercyful Fate ",Melissa" com nuances de Slayer "Show no Mercy". 

O Onslaught mostrou que a palavra força é surgida por meio do poder do inferno, mas a força bruta seria concretizada neste ótimo álbum de thrash metal acelerado e cadenciado.

Talvez era a banda certa de metal rápido no lugar não ideal , pois qualidade, sagacidade e identidade eles tinham de sobra. 

CELTIC FROST - Morbid Tales


Por Lucas Araújo Alves

1984: A Invasão dos Mini Álbuns do Heavy Metal Extremo: Agressividade, Velocidade, Peso e Blasfêmia. Depois dos primeiros lançamentos de VENOM, METALLICA e SLAYER, o Heavy Metal evidenciava que precisava ser mais veloz, primitivo e até mais underground do que até então já era. A partir de 1983, jovens incrédulos despertavam suas fúrias por sons viscerais, famintos por heavy metal e hardcore, eles criavam bandas com características sonoras cada vez mais rápida e pesada. Surgiam nos porões imundos do planeta, grupos que cuspiam ódio e respiravam caos.

O CELTIC FROST era uma dessas bandas da primeira safra da música extrema. O nome do conjunto foi extraído de uma canção dos doutrinadores do épico Heavy/Doom americano, o integro CIRITH UNGOL. Que antes do asqueroso HELLHAMMER já carregava a áurea de pior banda do mundo. Pior era o crânio esmagado daqueles idiotas rotuladores!

O CELTIC FROST veio das cinzas malditas do incrivelmente asqueroso HELLHAMMER, um dos filhos mais penumbrosos e caóticos do necrotério denominado Metal Negro.

Lançado no também abominado ano de 1984, via Noise Records, o primogênito ‘’Morbid Tales’’ é um EP denso, cuja musicalidade apresentada é carregada de pedais duplos, guitarras abafadas e vocais personalizados, cheios de urros no melhor estilo gutural tosco (UH)! 
Composto por Tom Warrior (vocal e guitarra), Martin Eric Ian (baixo) e Stephen Priestly (bateria) este pequeno registro é uma das raízes do bastardo metal da morte.

O disco abre com a introdução sinistra “Human”, que na verdade é apenas um susto que antecede a pancada “Into The Crypt Of Rays’’. Pauladas sonoras como “Visions Of Mortality”, “Nocturnal Fear” e “Procreation Of The Wicked” estão presentes nesta obra maldita, que segue dilacerando os ouvidos alheios até hoje. "Morbid Tales" é a combinação entre Death Metal cru, temperado com influencias do Punk e Hardcore. O melhor disco de afinações baixas do metal underground 80’s. Um combo eterno do Death metal.

O disco tem formatos diferentes, há duas versões distintas do EP. A versão Americana consta as faixas: ‘’Dethroned Emperor’’ e ‘’Return To The Eve’’. O vanguardista e inteligente CELTIC FROST fez e faz escola até os dias atuais, Thomas Warrior é um das mentes mais criativas do gênero. 

WITCHFINDER GENERAL - Friends of Hell


Por Lucas Araújo Alves

Originário da classe em extinção dos animais primatas e gigantescos da família colossal B- Sapiens, exatamente, a criação mutante das afinações baixas e pesadas, registradas na categoria B de BLUE CHEER, BLACK SABBATH, BANG, BUFFALO, BOOMERANG, BLUES CREATION, BLACKWATER PARK e BUDGIE! O WITCHFINDER GENERAL catalisou o peso mastodonte e seguiu a direção traçada pelos mestres ancestrais citados. Os coveiros perversos ingleses realizaram uma das melhores estréias de toda gloriosa trajetória da NWOBHM. O mágico “Death Penalty” captou o vigor indescritível setentista e inseriu a banda no altar do desconhecido, sabe aquelas bandas recheadas de mistério e lendas, sim, o WITCHFINDER GENERAL é místico. A formação básica como trio no debut, onde curiosamente Phil Cope conduzia as “pás elétricas”: guitarra e baixo. O segundo ato da fogueira tradicional da Malleus Maleficarum foi nomeada de “Friends Of Hell”. Nesse registro a formação era um maléfico quarteto composto por: Zeeb Parkes (vocal),Phil Cope (guitarra),Rod Hawkes (baixo) e Graham Ditchfield (Bateria). "Friends Of Hell" sustenta as chamas da cremação soturna setentista, todavia a sonoridade é mais veloz, acrescida de um baixo incrivelmente pesado e com requintes de crueldade. Nada de sobras de obras passadas e comparações vazias, "Love on Smack", “Friends Of Hell”, “Music” “Quietus”, são invasões sonoras furiosas dos caçadores, enquanto “Shadowed Images”, “I Lost You” e “Requiem for Youth", soam como músicas de fundo de uma missa de sétimo dia, um tributo sarcástico às jovens assassinadas, aqui, o clima é sabatical, lúdico e deprimente. O segundo disco dos britânicos é outro marco dentro do Heavy Metal, e na decadente década de 1990, muitos grupos de Stoner metal foram batizados nessa tocha influente. Por isso, é possível afirmar que o "General Caçador de Bruxa" (nome inspirado na auto titulação de MATTHEW HOPKINS, referência ao carrasco no século XVII), é um dos testamentos sólidos da proliferação Doom Metal. Infelizmente, após esse álbum o grupo entrou em um hiato sem fim, que acabou gerando o terceiro álbum apenas vinte e cinco anos depois.

NUCLEAR ASSAULT – Game Over

Por Lucas Araújo Alves

Danny Lilker pode se gabar de estar envolvido em alguns dos principais atentados musicais oriundos do abundante cenário subterrâneo dos EUA.

Depois de participar do projeto revolucionário S.O.D (Stormtroopers Of Death), Danny Lilker dava continuidade na empreitada intitulada Nuclear Assault, inegavelmente um dos ícones do Thrash Metal.

Formado por Dan Lilker (bass), John Connelly (vocal and guitars), Gleen Evans (drums) e Antony Bremate (guitars) nos subúrbios de Nova Iorque (EUA).

O grupo executa no debute "Game Over" um som mais rápido que as bandas anteriores de Dan Lilker. Ele queria tocar algo que soasse tão sombrio como o BATHORY e rápido como SLAYER e CELTIC FROST, porém o restante dos membros queriam tocar um Thrash com o pé no Hardcore.

Produzido por Alex Perialas e lançado pela Combat Records em 1986, “Game Over”, é marcado pela fusão enfurecida de Thrash Metal com Hardcore, som veloz, com bases rápidas e vocais agudos do baixinho berrador John Connelly.

Diferentemente dos conjuntos da Bay Area, as bandas da costa leste americana tinha muita influência do Punk/Hardcore Nova-iorquino.

A estreia vinílica "Game Over" começa com a veloz “Born, Suffer, Die” que antecede os convites ao mosh “Sin”, “Radiation Sickness”, “Cold Steel”, todas músicas são arregaça pescoços. A faixa número 7, é o hino da banda em minha opinião, “After The Holocaust”, é harmonia total entre explosão e energia e “Hang The Pope” é o grindcore antes do mesmo, um requinte demente da música agressiva.

A capa do álbum foi desenhada pelo renomado Ed Repka, uma espécie de Derek Riggs (criador do Eddie, mascote do IRON MAIDEN) do Metal Porrada.

Coloque seu colete cheio de paths, vista sua calça jeans colada, calce seu tênis cano alto, e sinta esse assalto Thrash Metal destruir sua cabeça.



DARK ANGEL – Darkness Descends

Por Lucas Araújo Alves

Após o lançamento do debut, We Have Arrived, em 1984, o DARK ANGEL lançou no dia 17 de Novembro de 1986, o segundo ato de destruição sonora, nomeado Darkness Descends. A bolacha foi distribuída pelo selo Combat Records. Diferente do primeiro álbum, Darkness Descends é mais virulento e rápido. Podemos dizer que o trabalho é mais técnico, menos obsoleto e fatalmente eficaz. Um tanque sonoro, um rolo compressor de crânios metálicos.

Descendentes obscuros, título sombrio de um dos petardos que refletem a sonoridade Thrash Metal mais insana da década de oitenta, ao lado de Reign In Blood (SLAYER), Pleasure To Kill (KREATOR), Beneath The Remains (SEPULTURA), Illusions (SADUS), Attomica (ATTOMICA), Ritually Abused (NUM SKULL) e alguns outros. Esse o primeiro álbum com o baterista, ou melhor a locomotiva humana, Gene Hoglan, talvez um dos músicos mais diferenciados da história do gênero. Os riffs ultrarrápidos de Jim Durkin e Erik Meyer são impiedosos, o vocal veloz e agressivo de Don Doty, apresentava uma grandiosa voracidade.

O holocausto musical começa com a poderosa faixa autointitulada e segue com The Burning Of Sodom, com aceleração fora do normal, Hunger Of The Undead, Merciless Death, versão mais insana que a do debut, e Death Is Certain (Life Is Not). Essas fiaxas são misseis nucleares fulminantes lançado por fanáticos thrash metalheads. Black Prophecies, um dos riffs mais arregaçados da história do Heavy Metal, e Perish In Flames fecham essa lição de violência chamada Darkness Descends.


Gene Hoglan declarou em uma entrevista na época, que a sonoridade do álbum é a trilha sonora de uma possível terceira guerra mundial. O avassalador DARK ANGEL contribuiu para a inspiração de diversas bandas de Thrash, Death e Black Metal. O álbum é reverenciado por integrantes de grupos como MASTER, SEPULTYRA, MORBID ANGEL, SADUS, DEMOLITION HAMMER, NUM SKULL, PESTILENCE, entre outros. 

A capa foi desenhada pelo renomado Ed Repka, o pintor da arte Thrash Metal. Disco estupendamente aniquilador !

NAPALM DEATH - Scum

Por Lucas Araújo Alves

Integrado por jovens aficionados em sons explosivos do hardcore e metal. O politizado NAPALM DEATH da "sagrada" cidade de Birmingham (ING), criou nos anos 80 um novo formato para a música extrema, o esporrento e asqueroso Grind Core.

O grupo era o completo paradoxo de toda a baboseira pacifista sessentista e de todo "Way Of Live" da década de oitenta. Em 1987, o underground defecava e ao mesmo tempo vomitava, o álbum mais radical desde "Kill Em All" do METALLICA e "Apocalyptic Raids" do HELLHAMMER.

A estreia vinílica dos ingleses foi lançada de forma independente. O disco "Scum" cospe 28 cacetadas que confrontam à todos. O álbum demonstra um repulsivo distúrbio sonoro inovador. Batidas ultra rápidas de bateria, guitarras zombadas e vocais gritados e urrados. A representação musical demonstrava toda a insatisfação contra o capitalismo, e o narcisismo consumista e glamouroso da impetuosa era Teatcher e Reagan.

A arte do álbum demonstra uma enorme caveira apodrecida entorno à políticos e empresários do sistema capitalista, ao redor dos engravatados uma deplorável família miserável, e mais embaixo, diversos logos de multinacionais em meio a um lamaçal de esterco.

O primeiro torpedo do NAPALM DEATH, encerrou definitivamente a disputa entre os grupos por velocidade, o Death Metal já existia em 1987, mas coube ao Grindcore definir a violência sonora e o padrão crítico, politizado, putrificado e agonizante da "anti música".

O álbum têm duas formações distintas, no lado A do disco é composto por Nicholas Bullen (vocal e baixo), Justin Broadrick (guitarras) e o famigerado batera Mick Harris que tocou nos dois lados do play. No lado B, consta Lee Dorian (vocal), Bill Steer (guitarras) e Mick Whitley (baixo).

Essa diferenciação de músicos tornou "Scum" mais emblemático ainda, isso já era a coisa mais Punk/Core que uma banda podia fazer em pleno anos oitenta.

NAPALM DEATH foi um dos grandes nomes na trajetória da estilhaçada música brutal, um dos representantes mais simbólicos e influentes da segunda onda britânica. Nessa onda, a escola da pancadaria inglesa ainda tinha representantes como CARCASS, BOLT THROWER, BENEDICTION e CANCER.

IRON ANGEL - Hellish Crossfire




Por Lucas Araújo Alves

A velocidade iniciada nos primeiros discos de ícones metálicos como RAVEN, ACCEPT, VENOM e TANK influenciou vários grupos de Speed Metal. Natural da cidade de Hamburgo (Alemanha), o IRON ANGEL é um dos ícones do som velocista, chamados de Judas Priest do speed metal. 

O debute “Hellish Crossfire’’ é uma avalanche sonora. O vocal rouco e esganiçado de Dirk Schröder é uma versão mais extrema de UDO (Accept). O trabalho das guitarras é rápido e pesado, os guitarristas cospem riffs na velocidade da luz.

A sequência das faixas "destrói" o tímpano do ouvinte “The Metallian”, “Sinner 666”, ‘’Black Mass’’(Peso Absurdo), “Legions Of Evil” são ataques absolutos de metal enlouquecedor. 

Mesmo que a arte de "Hellish Crossfire" remeta a algo de bandas clássicas como Cirith Ungol ou Manilla Road, o que ouvimos no disco é puro Speed Metal bestial. 

A velocidade e o peso desse álbum mostra um dos melhores momentos da malevolência do aço teutônico. Assim, como o inicio do RUNNING WILD, LIVING DEATH e GRAVE DIGGER Digger. O IRON ANGEL agradava fãs die hards de KREATOR, CELTIC FROST, VENOM, SLAYER, EXODUS, entre outros. Não fazia da trupe de conjuntos extremos, mas eram indecentemente empolgante e veloz.

PESTILENCE - Consuming Impulse


Por Lucas Araújo Alves

O Death Metal foi a explosão radioativa que ocorreu dentro do Heavy Metal no final da década de 1980. Essa “pandemia” atingia 10 entre 15 garotos aficionados por metal extremo e hardcore. A partir de tal infecção, muitos adolescentes montavam suas próprias bandas e sacavam seus instrumentos com intuito de tocar de forma mais agressiva do que os influentes ancestrais (Refiro-me à combos poderosos como VENOM, SLAYER, POSSESSED, METALLICA, HELLHAMMER, BATHORY, BLACKWATER, RAZOR, CELTIC FROST, EXODUS, DESTRUCTION, KREATOR, SODOM), e criar uma sonoridade cada vez mais feroz, rápida e indecente.


O grupo holandês  PESTILENCE se intensificou no período da contaminação do vírus letal do metal da morte, depois de lançar algumas demos acabaram conquistando os conterrâneos da Roadrunner Records. O primeiro álbum do grupo,“Malleus Maleficarum”, denunciava à igreja e seus criminosos que queimaram milhares de jovens mulheres durante a inquisição. O disco foi um aquecimento extraordinário de táticas de destruição em massa. Contudo, foi graças à gravidade brutal do sucessor “Consuming Impulse” lançado no natal de 1989, que o doentio e perturbador death metal chegaria então ao patamar da loucura e perversão nos anos 90, tornando-se uma raiz generativa e espinhosa do heavy metal.

Composto por Martim Van Drumen (vocal e baixo), Patrick Mameli (Guitarra), Patrick Uterwijx (Guitarra) e Marco Foddis (Bateria),  PESTILENCE adornou sua tempestade musical.

A ebulição da velocidade é criada pela elasticidade das guitarras, os músicos transformam suas bases e solos em um completo quebra cabeça, circulam desesperadamente por todas as circunferências do distúrbio, ou melhor, da música do PESTILENCE. A percussão rege o andamento usual e padrão death metal, nada de metralhadoras, blast beats, explosões múltiplas e outras denominações esporrentas. A vocalização apodrecida em forma de gutural “azedo” deixa claras referências ao mestre Jeff Becerra (POSSESSED). Talvez, o PESTILENCE foi o aprendiz mais exemplar do POSSESSED.

De fato, "Consuming Impulse" é uma das lápides mais autênticas chamativas do cemitério maldito: Metal da Morte.